Ferramenta interativa

Comparador de versões

Na boca do povo, uma mesma lenda muda de contorno a cada região que a conta. Use o comparador para colocar as versões de uma narrativa lado a lado, ou para medir as diferenças entre dois seres do folclore.

1. Versões de uma mesma lenda

2. Dois verbetes diferentes

Aspecto Caipora Curupira
ResumoGuardiã da floresta e dos bichos que nela vivem, desloca-se sobre um porco-do-mato e cobra em fumo o respeito de quem caça — castigando sem piedade a ganância.Cabelos da cor do fogo e pés que apontam para o lado errado: assim a mata se defende, através do Curupira, de caçadores e lenhadores sem respeito.
TipoCriaturaCriatura
RegiõesNordeste, Sudeste, Norte e Centro-OesteNorte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste
Matrizes Indígena e Mestiça / cabocla Indígena
Onde a história acontece Na mata Na mata
Quando costuma aparecer De dia À noite De dia À noite
Qual é o seu comportamento Protetor Punidor Travesso Protetor Punidor
Qual é a sua forma Humana Humana
Qual é o tema da história Proteção da natureza Castigo Proteção da natureza Castigo
Características
  • Protege os bichos e castiga o caçador ganancioso
  • Desloca-se, em geral, montada sobre um porco-do-mato
  • Pode se manifestar tanto como homem quanto como mulher
  • Fumo e cachaça funcionam como oferenda aceita por ela
  • Confunde o rumo de quem caça dentro da mata
  • As pegadas, voltadas para trás, indicam o caminho errado
  • Tem cabelos da cor do fogo
  • O corpo é pequeno, com ar de menino
  • Cuida das árvores e dos animais da mata
  • Usa assobios e vozes enganosas para confundir caçadores
Versões33
SignificadoDeixar fumo como oferenda mostra uma espécie de negociação com o sagrado, em que a mata não é vista como recurso disponível a qualquer um, mas como território já habitado por outros seres. Em termos mais amplos, a figura ensina um uso responsável da natureza: suas histórias impõem limite à caça, respeito ao ciclo dos animais e uma lógica de troca com a floresta — herança indígena que caboclos e sertanejos fizeram sua.Os pés invertidos funcionam quase como metáfora da própria lógica da floresta, que confunde quem não a conhece e exige respeito e saber de quem a percorre. De modo mais amplo, o Curupira é visto como expressão de uma ética indígena de relação com a mata: suas histórias afirmam que a floresta tem guardiões, que a caça precisa ter limite e que o abuso será punido.

Em verde, os traços que os dois verbetes têm em comum.