Ferramenta interativa

Comparador de versões

Na boca do povo, uma mesma lenda muda de contorno a cada região que a conta. Use o comparador para colocar as versões de uma narrativa lado a lado, ou para medir as diferenças entre dois seres do folclore.

1. Versões de uma mesma lenda

2. Dois verbetes diferentes

Aspecto Saci-Pererê Curupira
ResumoPerna só, gorro vermelho e cachimbo na boca: assim é o menino que se escafede dentro de redemoinhos para trocar objetos de lugar e desorientar quem passa.Cabelos da cor do fogo e pés que apontam para o lado errado: assim a mata se defende, através do Curupira, de caçadores e lenhadores sem respeito.
TipoPersonagemCriatura
RegiõesSudeste, Sul, Centro-Oeste e NordesteNorte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste
Matrizes Indígena, Africana / afro-brasileira e Europeia Indígena
Onde a história acontece Na mata Em estradas e encruzilhadas Dentro de casa Na mata
Quando costuma aparecer À noite A qualquer hora De dia À noite
Qual é o seu comportamento Travesso Protetor Punidor
Qual é a sua forma Humana Humana
Qual é o tema da história Proteção da natureza Assustar crianças Proteção da natureza Castigo
Características
  • Avança em pulos, já que tem uma perna só
  • No gorro vermelho está concentrado o essencial do seu poder
  • Pede fumo a quem passa e nunca solta o cachimbo
  • Viaja escondido dentro dos redemoinhos de poeira
  • Durante a madrugada, embaraça as crinas dos cavalos
  • As pegadas, voltadas para trás, indicam o caminho errado
  • Tem cabelos da cor do fogo
  • O corpo é pequeno, com ar de menino
  • Cuida das árvores e dos animais da mata
  • Usa assobios e vozes enganosas para confundir caçadores
Versões33
SignificadoA esperteza com que o Saci escapa de apuros e provoca os mais poderosos já foi lida como forma de resistência disfarçada de humor, num mundo rural de grandes desigualdades. Mas é também, e sobretudo, retrato em miniatura da formação do povo brasileiro: um só personagem reunindo traços indígenas, africanos e europeus.Os pés invertidos funcionam quase como metáfora da própria lógica da floresta, que confunde quem não a conhece e exige respeito e saber de quem a percorre. De modo mais amplo, o Curupira é visto como expressão de uma ética indígena de relação com a mata: suas histórias afirmam que a floresta tem guardiões, que a caça precisa ter limite e que o abuso será punido.

Em verde, os traços que os dois verbetes têm em comum.